quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Continuidade...


Às vezes simplesmente eu paro e fico pensando na utilidade desse blog ou o quanto ele é importante para mim. Esse pensamento vai crescendo até que a vontade de apagá-lo quase se concretiza. Quando se decide ter um blog, espera-se uma grande audiência e a troca de experiência com outras pessoas. Essa troca não acontece frequentemente e o blog não tem a audiência esperada!!! Mas, de vez em quando, eu chego em casa, acesso o meu e-mail e tem uma mensagem de alguém que descobriu o blog. A mensagem é essa (em resposta ao texto "Eu amo ser gay"):

"Muito bom! Sou gay também e foi bem doído para mim admitir isso. Ainda to dentro armário e ainda sofro pela não aceitação, mas não mais a minha, mas dos meus pais. Suas palavras são encorajadoras." 

Lendo essa mensagem, me sinto com disposição para manter o blog e saber que ele está na rede, podendo ser encontrado por pessoas que às vezes precisam apenas de uma palavra de incentivo.

A ideia do blog é incentivar e falar das "facilidades" em viver fora do armário. Não escrevo mais no blog por conta da correria do dia a dia mesmo, pois assunto não falta. A questão dos pais é um assunto que pode ser bem explorado (eu estou com uma história muito boa sobre isso). Tem também a questão de se trocar de emprego (tenho outra situação para contar aqui no blog). Outra situação que eu quero compartilhar no blog é a questão da volta do passado na vida do gay. Geralmente assumimos uma identidade na adolescência (como namorar mulheres) e depois que nos assumimos não dá para simplesmente sumir do seu passado. Mas comento mais sobre esses assuntos depois.

Meu leitor anônimo, obrigado pelo seu comentário. Gostaria de mencionar também o comentário que recebi a um tempo atrás do blog Homem, Homossexual e Pai, comentando o texto "O que faz uma casca". Obrigado e desculpe não ter te respondido. Só te digo que aquela camiseta sempre gera situações engraçadas.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Melancolia

Esse é o diário de um melancólico. O período em que fico sem escrever aqui é o período que se pode chamar de viver.

Para mim, escrever é externar angústias de alguém que sofre a cada intervalo de tempo. Que tempo é esse? Ainda não tão racional (ou irracional) para fazer essa medição.

Assim como tomo remédio para passar o resfriado, escrevo na esperança de que a escrita sirva como um analgésico para minha depressão.

O centro da minha vida é o meu trabalho. Sei que não poderia ser assim, mas simplesmente é. Se o trabalho de certa forma sai fora do eixo, todo o restante da minha vida, que orbita em torno desse eixo, é penalizado, pois eu minimizo esforço para os orbitantes, para concentrar energia total no centro.

E é nesse movimento que a merda está feita. O centro consumindo cada vez mais energia. Sabe aquela teoria de que o sol vai sugar todos os planetas até que aconteça uma nova explosão e tudo recomece? Isso acontece a cada certos períodos da minha existência.

Enquanto houver melancolia, haverá escrita.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O que faz uma casca!?!?

– Roupa cor de rosa é para menina, roupa azul é para menino.
– Menino brinca com carrinho, menina brinca com boneca.
– Meninos não choram!

Essas e outras frases rodiaram a minha infância e são ditas todos os dias, até hoje! Esses dias, a professora da minha sobrinha falou para ela parar de jogar futebol, pois era coisa de menino!!! Ela tem apenas 7 anos e pode ter sido roubada de uma carreira, de um sonho.

Enfim, estou contando essa história para iniciar uma reflexão de algo que aconteceu comigo na academia. Acordei atrasado e minha roupa não estava separada para o treino. Peguei uma bermuda e uma camiseta de time, que é a única de time que eu tenho, e eu a comprei porque achei bonita e porque sempre quis uma camiseta de time europeu.

Estava lá treinando e, de repente, o meu professor chega e começa a falar de futebol comigo. Daí eu: "Oi? Não sei do que você está falando!". Óbvio que eu não falei. Fiquei olhando e concordando e/ou descordando. Mas sabe quando você fala de um assunto, mas sem propriedade nenhuma? E o pior que não foi uma puxada de assunto, foram várias!

A ideia aqui é refletir como somos julgados pelo que vestimos ou por alguns comportamentos que temos. Não estou falando que quero ser percebido como gay, portanto não fale sobre futebol comigo. Falo sobre como vivemos em padrões, somos padronizados: tem gays que gostam de futebol, tem héteros que não gostam. A vida é assim, mas não é encarada dessa forma: se visto uma camisa rosa, sou gay e não entendo nada de futebol / se visto uma camiseta de time, sou hétero e entendo tudo de futebol.

Penso muito nessas relações e não sei como poderia ser diferente. É muito difícil organizar o mundo. Essas conversas do dia a dia são as mais difíceis de mudar, pois são dessas trivialidades que surgem os papos mais dentro de um formato pré-estabelecido.

Como fazer para isso ser diferente? Talvez se eu tivesse jogado a real, poderia ter sido diferente ou teria outra situação para contar. Não sei!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Girls Gone Wild, Madonna



Faz tempo que eu não colocava nenhuma música aqui no blog. Vamos lá, então! Sei que a Madonna já lançou clipe novo recende (Turn up the radio), mas não tem como não colocar essa música maravilhosa, que é Girls Gone Wild.

Falando em Madonna, em dezembro, estarei no show em São Paulo!!! Contando os dias.




Hoje eu só queria...

É muito estranho ter uma semana inteira louca! Estou tipo mulher grávida: esperando! E como é dura a espera. Toda essa espera, pelo que parece, não resultará em nada. Falava a pouco com uma amiga sobre não podermos nos deixar abater e de nunca podermos perder a capacidade de sonhar, por mais adversidades que apareçam em nossas vidas.

Desde o meu aniversário, muitas coisas aconteceram na minha vida profissional, pessoal, conjugal, sexual, espiritual. Tudo poderia mudar, mas nada mudou, nada significativo! Este post é totalmente de desabafo. Como diz uma professora minha, este é um exercício de "exorcizar pelo verbo". A ideia é a de esgotar um assunto para que ele saia completamente da sua mente.

Hoje eu só queria não estar pensando nas coisas que estão me afligindo e estar totalmente compenetrado neste dia tão especial da minha vida e do meu companheiro. Há cinco anos, encontrei alguém tão parecido comigo e que me completa tanto. Com ele, descobri que não há relacionamento perfeito e que as adversidades mostram quanto um bom parceiro faz a diferença na vida de um ser.

Com todas as preocupações na minha cabeça é bom saber que eu vou chegar em casa e meu marido vai estar lá, me esperando, para sairmos para jantar e comemorar essa data tão especial para nós dois. Sei que hoje eu não estou 100%, mas sei que ele vai dividir um pouco da sua energia para me completar. Como ele sempre faz! 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Níver de 27 anos!

Ahhh, aniversários! Momento de reflexão e de celebração. Para mim, refletir e celebrar não caminham 50%. Tem anos que eu reflito 80% e celebro pouco. Este ano foi diferente! Celebrei com meus familiares e estou usando o blog para refletir. É sempre um bom exercício a reflexão.

Ontem enquanto eu ia para casa do meu pai, fiquei pensando nos diferentes papéis que assumimos ao longo da vida e de como a felicidade depende do status de cada um desses papéis. Cada um desses papéis influenciam o ser completo que eu sou: filho, marido, irmão, tio, sobrinho, amigo, colega, conhecido, parente. Sou o Willian na minha casa, o Will para os meus amigos, o Designer no trabalho, o coordenador no cursinho. Fora os papéis, têm ainda as características que me definem: sou o gay assumido, que tem um companheiro, sou o rabugento, o crica, o cara que dá o foco. Sou o impaciente, o chato, o pentelho. Sou aquele que fala palavrão, fala alto e não tem medo de constrangimento, que faz piadas ácidas e comentários que às vezes deixam as pessoas de cabelo em pé!

Ufa! Sou tantos e tenho tantas características!!! Mas não sou especial por isso. Todas as pessoas são dessa forma. Por mais papéis que tenhamos ou por diferentes características que nos definam, temos que ter uma linha, uma essência, que seja a mesma em todos os ambientes e com as diferentes pessoas do nosso convívio. Enfim, pauto a minha vida tentando ser uma pessoa íntegra, respeitando a todos e fazendo com que todos se sintam bem ao meu redor.

Ano passado, quando eu fiz 26, foi um momento de grande reflexão. Foi a idade em que eu me olhei no espelho e percebe diferenças físicas em mim. Não vi mais o semblante de um menino, mas sim de um homem, com cada vez mais responsabilidades (estranho falar isso, mas a idade já me habilita a isso). Agora com 27, me sinto em preparação para os 30. Quero fazer dos 27, dos 28, dos 29 pequenos momentos de reflexão, para a grande celebração dos 30, tentando evitar, ao máximo, as crises que essa idade pode trazer.

No mais, tudo certo, tudo lindo. Para comemorar, estou de penteado novo (na verdade, um upgrade do corte mencionado no post anterior). Promessas para este ano: tentar ir mais vezes para academia (essa é quase a piada do novo ano. kkkkk). Por fim: mais um GRANDE ano pela frente.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Eu amo ser gay!

Hoje me deu uma vontade incontrolável de escrever. Daquelas em que não podemos deixar passar! O tema: Eu amo ser gay! Eu sei de todas as dificuldades que enfrentamos diariamente, os perigos que corremos pelo simples fato de existir coloridamente, além de todos os direitos que nos são negados.

Apesar disso e de muitas outras situações: Eu amo ser gay! E mais: Eu me amo! E me redescubro a cada dia. Não é querer dar uma de Poliana, mas gosto de ver, também, o lado bom das coisas. Para mim, que sou assumido, é ótimo. Não devo satisfação para ninguém e, por ser gay, não tenho que ficar bancando uma pose (como a que eu deveria bancar se fosse hétero e me preocupasse com a opinião das pessoas).

Vamos a alguns exemplos: Desde o início do ano, estou fazendo escova marroquina no meu cabelo. Ou seja, em uma sexta-feira eu saio com o meu cabelo mais armado que matagal de terreno abandonado e na segunda chego no trabalho com os cabelos lisos. As pessoas olham, querem perguntar, mas não falam. Fiz a primeira vez em janeiro, e ninguém falou nada. Agora em março, fui retocar a escova. Dessa vez, a vergonha em perguntar foi menor que a curiosidade. Ficaram interessados no processo, por que eu faço e coisas do gênero. E só! Ninguém ficou questionando ou tirando sarro.

Ficou bom ou não? Não sei! Só sei que estou muito mais feliz que antes e hoje estou com um corte bacana no meu cabelo. E é isso que me interessa. Como eu sou gay e essa minhacaracterísticas é uma de outras tantas, as pessoas não esperam um comportamento meu e se eu saio desse comportamento sou questionado.

Uma "dica", não só para os gays: Respeito se conquista com pequenas ações, executadas todos os dias. Como falei, se gay é apenas uma das muitas características que eu possuo. Ser gay define minha identidade perante as pessoas, mas tenho outros valores, que ajudam a formar meu caráter e ser visto como uma "pessoa comum".

Tudo isso me fez lembrar de quando eu era apenas um pequeno gay em fase de crescimento. Quando eu era criança e fui descobrindo que eu não era "igual" aos outros meninos e que isso estava ligado à minha sexualidade decidi que eu iria estudar bastante e trabalhar muito para conquistar as coisas, pois entendia que todos os gays adotavam esse comportamento. Quando eu comecei a ir para as baladas vi que, assim como todo orestante da humanidade, os gays também apresentam variações, tendo bicha de tudo que é jeito.

Enfim, ainda bem que me mantive firme no meu propósito de estudar e trabalhar firme, pois hoje, antes do Will gay, tem o Will estudioso e o Will empenhado, disposto a fazer com que a sua vida e a vida de outras pessoas deem certo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Infográfico do Terra

Pessoal, estou colocando o link do infográfico "A Trajetória contra o preconceito", disponível no portal Terra, pois sempre é bom relembrarmos nossas conquistas e pautar o que ainda nos falta.

Segue o link: http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/direitos-homossexuais/

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Para ler e pensar

Pessoal, acabo de ler um artigo incrível de Luiz Cláudio Cunha com o título "Os vendilhões dos templos eletrônicos em tempos de espertalhões da fé".

O texto fala sobre muitos assuntos, que de certa forma nos interessam em muito. O artigo fala sobre o domínio da religião em um país que se diz laico, mas que sofre, ainda, muita influência pela força que o dinheiro religioso apresenta.

É bacana refletir sobre como a abordagem das igrejas será cada vez mais agressiva para conter a perda cada vez maiores de seguidores. O discurso dos fiéis que frequentam as igrejas e templos é totalmente desfavorável à nossa causa e com certeza esse discurso não irá mudar tão sendo. Se você acha que a opinião daquela sua tia lá da Igreja Sei Lá o Que do Fogo Divino não tem impacto na sua vida, pense que há alguém que a está representando nas Câmaras Municipais, na Assembleia Legislativa, no Senado e, principalmente, na televisão, meio de "informação" da grande maioria dos frequentadores de tais igrejas.

Vale muito a leitura: http://sul21.com.br/jornal/2012/01/vendilhoes-dos-templos-eletronicos-em-tempos-de-espertalhoes-da-fe/

 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Feliz Ano Novo

Acabo de entrar no blog e vejo que estou a exatos um mês sem fazer nenhuma postagem!!! Dezembro sempre é um mês muito corrido, com festas e preparação para as férias. Enfim, para 2012 quero continuar com o blog e trazer mais relatos das minhas andanças pelo universo gay.

Para abrirmos o ano, vou contar a minha saída do armário aqui no meu novo trabalho, que aconteceu em dezembro. Vim para essa nova empresa com uma amiga minha e já tinha vários conhecidos nela também, portanto pensei que seria mais fácil tornar a minha vida um pouco mais pública.

No entanto, nunca perguntavam nada diretamente para mim e um dia resolvi chegar e comentar com duas colegas que trabalham mais diretamente comigo do meu marido e que eu morava com ele. Foi super tranquilo e agora a nossa relação está bem mais bacana.

Com isso, gostaria de deixar algumas dicas para você, que ainda está no armário e está planejando sair dele em 2012. Pega o bloquinho e a caneta e vamos às dicas:
  • Antes de abrir a porta do armário para todo mundo, é importante se sentir seguro com a sua própria orientação. Você tem que se entender primeiro.
  • Para dar coragem de escancarar o armário, primeiro conte para um pessoa de sua inteira confiança: um amigo, uma amiga, sua irmã...
  • Antes de colocar no Face para todo mundo ver, é importante contar para sua família base (pai, mãe e irmãos), pois quando você sai do armário a sua família acaba saindo também, pois todos os demais familiares vão perguntar de você para eles.
Dicas para o trabalho:
  • No meu Face tem o meu marido em destaque e todas as minhas preferências, endereço do blog e tal. Aqueles que eu vou conhecendo, já vou adicionando e eles acabam conhecendo a minha vida.
  • No meu trabalho, apenas isso não adiantou para iniciarmos conversas em que eu pudesse contar sobre as minhas relações familiares. Então um dia eu cheguei e contei para as pessos que eu trabalho diretamente. Não vá me pedir a palavra na festa de empresa ou mandar um email para todas as pessoas (é sempre bom avisar...).
  • A dica mais importante é a seguinte: Não invente histórias, não finja ter namorada, não queira bancar o hétero. Seja você mesmo! Prefira o silêncio à invenção de lorotas. Se alguém perguntar, você fala abertamente e mostra naturalidade.
Às vezes é difícil inserir o tema nas conversas informais na empresa. Temos que agir com naturalidade. Não é porque somos gays que temos que ser panfletários da causa, no entanto não temos que esconder quem somos. Ser gay não é o ponto principal da minha vida, mas é um dos mais importantes.